4. Sem as dúvidas que temos acerca de nós próprios, o nosso cepticismo seria letra morta, inquietação convencional, doutrina filosófica.
Silogismos da Amargura, Atrofia do Verbo | E. M. Cioran | Trad. Manuel de Freitas
where the suburbs met utopia
where the suburbs met utopia
where the suburbs met utopia
Lost in the high street, where the dogs run
roaming suburban boys
Mother's got her hairdo to be done
She says they're too old for toys
Stood by the bus stop with a felt pen
in this suburban hell
and in the distance a police car
to break the suburban spell
Let's take a ride
and run with the dogs tonightin suburbia
You can't hide
Run with the dogs tonight
in suburbia
Break the window by the town hall
Listen! A siren screams
there in the distance like a roll call
of all the suburban dreams
Let's take a ride
and run with the dogs tonight
in suburbia
You can't hide
run with the dogs tonight
in suburbia
I only wanted something else to do but hang around
I only wanted something else to do but hang around
It's on the front page of the papers
This is their hour of need
Where's a policeman when you need one
to blame the colour TV?
Let's take a ride
and run with the dogs tonight
in suburbia
You can't hide
run with the dogs tonight
in suburbia
Suburbia
where the suburbs met utopia
What kind of dream was this
so easy to destroy?
And who are we to blame
for the sins of the past?
These slums of the future?
suburbia
where the suburbs met utopia
suburbia
where the suburbs met utopia
Suburbia | Pet Shop Boys / 1986
where the suburbs met utopia
Lost in the high street, where the dogs run
roaming suburban boys
Mother's got her hairdo to be done
She says they're too old for toys
Stood by the bus stop with a felt pen
in this suburban hell
and in the distance a police car
to break the suburban spell
Let's take a ride
and run with the dogs tonightin suburbia
You can't hide
Run with the dogs tonight
in suburbia
Break the window by the town hall
Listen! A siren screams
there in the distance like a roll call
of all the suburban dreams
Let's take a ride
and run with the dogs tonight
in suburbia
You can't hide
run with the dogs tonight
in suburbia
I only wanted something else to do but hang around
I only wanted something else to do but hang around
It's on the front page of the papers
This is their hour of need
Where's a policeman when you need one
to blame the colour TV?
Let's take a ride
and run with the dogs tonight
in suburbia
You can't hide
run with the dogs tonight
in suburbia
Suburbia
where the suburbs met utopia
What kind of dream was this
so easy to destroy?
And who are we to blame
for the sins of the past?
These slums of the future?
suburbia
where the suburbs met utopia
suburbia
where the suburbs met utopia
Suburbia | Pet Shop Boys / 1986
Para o Mar
Avançar sobre o murete que separa
A estrada do passeio à beira mar
Recorda, vívido, o que em tempos conheci:
A alegria em miniatura das praias.
Tudo se amontoa sob um baixo horizonte:
Praia íngreme, mar azul, toalhas, toucas garridas,
Desmaio sussurrado e repetido de ondinhas
Sobre a areia clara e quente, e mais ao longe,
Encalhado na tarde, o casco branco de um vapor –
E ainda é assim, tudo, tudo ainda é assim!
Deitar-se, comer, dormir com as ondas em fundo
(De ouvidos nos transistores, um som remansado
Debaixo do céu), ou levar pela mão, para baixo e para cima,
Meninos acanhados, de folhos brancos
E agarrando-se ao ar imenso: ou empurrar
Velhos hirtos em cadeiras de rodas, para gozarem
Um último Verão- tudo isto ainda acontece,
Em parte um prazer de cada ano, em parte um ritual,
Como quando, feliz por estar só, eu procurava
Na areia cromos de Jogadores de Cricket,
Ou, muito antes, os meus pais se conheceram
Ao som do mesmo cacarejar de praia.
Alheio agora a tudo isso, observo a cena sem nuvens:
A mesma água límpida sobre seixos polidos,
Ao longe a voz dos banhistas em protestos agudos,
Já no limiar e depois os charutos baratos,
Os papéis de chocolates, as folhas de chá e, entre
As rochas, as latas a enferrujar, até que umas poucas
Famílias começam o caminho de volta aos carros.
O vapor branco já partiu. Como vidro embaciado,
A luz do sol esbranquiçou. Se a pior coisa
De um tempo imaculado é não estarmos à altura,
Pode ser que com o hábito esta gente refine,
Vindo a banhos tão sem jeito despida
Ano após ano, ensinando os seus filhos com uma espécie
De momice; e ajudando os velhos, também, como deve ser.
Para o Mar | in Janelas Altas | Philip Larkin / Trad. de Rui Carvalho Homem / Ed. Cotovia
A estrada do passeio à beira mar
Recorda, vívido, o que em tempos conheci:
A alegria em miniatura das praias.
Tudo se amontoa sob um baixo horizonte:
Praia íngreme, mar azul, toalhas, toucas garridas,
Desmaio sussurrado e repetido de ondinhas
Sobre a areia clara e quente, e mais ao longe,
Encalhado na tarde, o casco branco de um vapor –
E ainda é assim, tudo, tudo ainda é assim!
Deitar-se, comer, dormir com as ondas em fundo
(De ouvidos nos transistores, um som remansado
Debaixo do céu), ou levar pela mão, para baixo e para cima,
Meninos acanhados, de folhos brancos
E agarrando-se ao ar imenso: ou empurrar
Velhos hirtos em cadeiras de rodas, para gozarem
Um último Verão- tudo isto ainda acontece,
Em parte um prazer de cada ano, em parte um ritual,
Como quando, feliz por estar só, eu procurava
Na areia cromos de Jogadores de Cricket,
Ou, muito antes, os meus pais se conheceram
Ao som do mesmo cacarejar de praia.
Alheio agora a tudo isso, observo a cena sem nuvens:
A mesma água límpida sobre seixos polidos,
Ao longe a voz dos banhistas em protestos agudos,
Já no limiar e depois os charutos baratos,
Os papéis de chocolates, as folhas de chá e, entre
As rochas, as latas a enferrujar, até que umas poucas
Famílias começam o caminho de volta aos carros.
O vapor branco já partiu. Como vidro embaciado,
A luz do sol esbranquiçou. Se a pior coisa
De um tempo imaculado é não estarmos à altura,
Pode ser que com o hábito esta gente refine,
Vindo a banhos tão sem jeito despida
Ano após ano, ensinando os seus filhos com uma espécie
De momice; e ajudando os velhos, também, como deve ser.
Para o Mar | in Janelas Altas | Philip Larkin / Trad. de Rui Carvalho Homem / Ed. Cotovia
moradas
Existe na estupidez uma seriedade que, melhor orientada, poderia multiplicar o número de obras-primas.
3. Silogismos da Amargura, Atrofia do Verbo | E. M. Cioran | Trad. Manuel de Freitas
3. Silogismos da Amargura, Atrofia do Verbo | E. M. Cioran | Trad. Manuel de Freitas
dysfunction follows form
Arranha Céus | J.G. BAllard | 1975 / Trad. Marta Mendonça, Rute Mota
O tempo do idealismo, o optimismo tornado barbárie.
A humanidade degradada e incapaz de escapar à natureza.
A liberdade é tão mais preciosa quanto Eros e tanathos não se eximem a exterminá-la.
Michael Wolf
O tempo do idealismo, o optimismo tornado barbárie.
A humanidade degradada e incapaz de escapar à natureza.
A liberdade é tão mais preciosa quanto Eros e tanathos não se eximem a exterminá-la.
Michael Wolf
Musa Consolatrix
Juventude | Paolo Sorrentino | Itália / 2015
Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,
É no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.
Não há, não há contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
De íntima paz, de vida e de conforto.
Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias;
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.
Musa consoladora,
Quando da minha fronte de mancebo
A última ilusão cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, — e terá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!
Musa Consolatrix | Machado de Assis
Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,
É no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.
Não há, não há contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
De íntima paz, de vida e de conforto.
Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias;
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.
Musa consoladora,
Quando da minha fronte de mancebo
A última ilusão cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, — e terá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!
Musa Consolatrix | Machado de Assis
buy land, buy land, they doesn't do more
O dinheiro é o deus.
Os mercados a sua religião.
Os milhões de desempregados as vítimas sacrificiais sobre o seu altar.
The Big Short | Adam McKay | EUA / 2016
Os mercados a sua religião.
Os milhões de desempregados as vítimas sacrificiais sobre o seu altar.
The Big Short | Adam McKay | EUA / 2016
Das festas, as vésperas
O tempo em que as puídas sombras do passado se transformam na rocha luminosa da verdade.
45 Years | Andrew Haigh | Inglaterra / 2015
moradas
Tantas páginas, tantos livros que foram as nossas fontes de emoção, e que relemos para estudar neles a qualidade dos advérbios ou a propriedade dos adjectivos!
2. Silogismos da Amargura, Atrofia do Verbo | E. M. Cioran | Trad. Manuel de Freitas
2. Silogismos da Amargura, Atrofia do Verbo | E. M. Cioran | Trad. Manuel de Freitas
moradas
1. Formados na escola dos caprichosos, idólatras do fragmento e do estigma, fazemos parte de um tempo clínico em que apenas contam os casos. Debruçamo-nos sobre aquilo que um escritor calou, sobre aquilo que poderia ter dito, sobre as suas profundezas mudas. Se ele deixar uma obra, se ele se explica, pode contar com o nosso esquecimento. Magia do artista irrealizado..., de um vencido que deixa fugir as suas decepções, que não sabe fazê-las frutificar.
Silogismos da Amargura, Atrofia do Verbo | E. M. Cioran | Trad. Manuel de Freitas
Sair do armário: diga qualquer coisa de Direita
De todos os méritos de Paulo Portas na liderança do CDS, e foram alguns, um dos mais relevantes terá sido a capacidade de atracção de «jovens quadros», na gramática portista, ao partido. São alguns nomes que, por sortilégio do calendário político, em pouco tempo ganharam lastro político, governativo e, não menos importante, mediático.
Destacam-se, naturalmente, Adolfo Mesquita Nunes, pelo excelente trabalho no Turismo, e Assunção Cristas, na difícil pasta da Agricultura. Cristas que, apesar de tudo ainda deixa grande parte da direita na expectativa, tem, para já, a enormíssima vantagem de poder articular com algum recato as diversas tendências que convivem no CDS.
Liberais e neo-liberais, conservadores e democratas-cristãos, têm agora oportunidade para construir tranquilamente uma casa comum para lá das limitações históricas.
A grande responsabilidade aos ombros de Cristas é apontar o futuro a uma direita afirmativa, que recusa os complexos do pós-25 de Abril, cosmopolita, por ser verdadeiramente conservadora e, citando Adolfo Mesquita Nunes, «sensata», avessa a qualquer tipo de engenharia social a despeito da crua realidade das coisas. É isto que urgentemente necessitamos.
Diário Económico | 19.01.2016
Destacam-se, naturalmente, Adolfo Mesquita Nunes, pelo excelente trabalho no Turismo, e Assunção Cristas, na difícil pasta da Agricultura. Cristas que, apesar de tudo ainda deixa grande parte da direita na expectativa, tem, para já, a enormíssima vantagem de poder articular com algum recato as diversas tendências que convivem no CDS.
Liberais e neo-liberais, conservadores e democratas-cristãos, têm agora oportunidade para construir tranquilamente uma casa comum para lá das limitações históricas.
A grande responsabilidade aos ombros de Cristas é apontar o futuro a uma direita afirmativa, que recusa os complexos do pós-25 de Abril, cosmopolita, por ser verdadeiramente conservadora e, citando Adolfo Mesquita Nunes, «sensata», avessa a qualquer tipo de engenharia social a despeito da crua realidade das coisas. É isto que urgentemente necessitamos.
Diário Económico | 19.01.2016
Esperar 2016
2016 , um ano para esperar:
Por um governo que governe, concorde-se ou discorde-se, e que não se reduza a patéticos exercícios de sobrevivência; por um primeiro-ministro que dispa o fato de Maquiavel dos pequenitos e seja, de facto, um líder para o país; pelo tino dos nossos governantes que, por um instante, por um ano, submetam o interesse pessoal ao bem comum; pelo juizinho dos nossos políticos, que abandonem os jogos florais com que nos presenteiam diariamente no simulacro de Parlamento onde se passeiam - e, já agora, que o Parlamento seja a arena de confronto e da dissensão de ideias e não de ressentimentos e mesquinhez; por um espaço público desintoxicado da indigência cultural em que temos penado.
Mais. Que Portugal se torne um lugar culturalmente respirável e que os jornalistas noticiem mais e opinem menos e, milagre, que os jornais resistam e, se possível, apareçam mais títulos excluídos ao rolo compressor da tabloidização que, miseravelmente, nos cai em cima todos os dias.
2016, um ano para esperar: sentado.
Diário Económico | 5.1.2016
Por um governo que governe, concorde-se ou discorde-se, e que não se reduza a patéticos exercícios de sobrevivência; por um primeiro-ministro que dispa o fato de Maquiavel dos pequenitos e seja, de facto, um líder para o país; pelo tino dos nossos governantes que, por um instante, por um ano, submetam o interesse pessoal ao bem comum; pelo juizinho dos nossos políticos, que abandonem os jogos florais com que nos presenteiam diariamente no simulacro de Parlamento onde se passeiam - e, já agora, que o Parlamento seja a arena de confronto e da dissensão de ideias e não de ressentimentos e mesquinhez; por um espaço público desintoxicado da indigência cultural em que temos penado.
Mais. Que Portugal se torne um lugar culturalmente respirável e que os jornalistas noticiem mais e opinem menos e, milagre, que os jornais resistam e, se possível, apareçam mais títulos excluídos ao rolo compressor da tabloidização que, miseravelmente, nos cai em cima todos os dias.
2016, um ano para esperar: sentado.
Diário Económico | 5.1.2016
Iceberg
É inegável o impacto que a publicação dos ‘rankings’ das escolas teve na sociedade portuguesa e, até por isso, convém usar de alguma cautela ao olharmos para eles.
Ainda assim, e por muito incompleto que seja o resumo da informação acerca das escolas, são um bom indicador de que os pais dispõem na hora de escolher a escola dos filhos. E, não de somenos importância, servirão também para desfazer alguns mitos a que temos sido expostos há décadas pelos órfãos de Rosseau que insistem no uso da escola como instrumento
de ‘transformação do homem’.
Mas talvez a virtude maior do ‘ranking’ das escolas possa relacionar-se com uma possibilidade, remota, é certo, de demolição da ideologia (totalitária) igualitarista que alimenta os burocratas da 5 de Outubro.
O credo igualitarista da ‘educação’ sem avaliação como ferramenta privilegiada da mobilidade social elide os critérios do mérito e nivela por baixo, qual rolo compressor, a possibilidade de uma escola pública (e privada) que escape à engenharia social das luminárias alapadas aos corredores do Ministério. Perpetuando a paralisia social.
Os resultados estão à vista. O ‘ranking’ das escolas é só a ponta de um iceberg que está a partir o país a meio.
Diário Económico | 17.12.2015
Ainda assim, e por muito incompleto que seja o resumo da informação acerca das escolas, são um bom indicador de que os pais dispõem na hora de escolher a escola dos filhos. E, não de somenos importância, servirão também para desfazer alguns mitos a que temos sido expostos há décadas pelos órfãos de Rosseau que insistem no uso da escola como instrumento
de ‘transformação do homem’.
Mas talvez a virtude maior do ‘ranking’ das escolas possa relacionar-se com uma possibilidade, remota, é certo, de demolição da ideologia (totalitária) igualitarista que alimenta os burocratas da 5 de Outubro.
O credo igualitarista da ‘educação’ sem avaliação como ferramenta privilegiada da mobilidade social elide os critérios do mérito e nivela por baixo, qual rolo compressor, a possibilidade de uma escola pública (e privada) que escape à engenharia social das luminárias alapadas aos corredores do Ministério. Perpetuando a paralisia social.
Os resultados estão à vista. O ‘ranking’ das escolas é só a ponta de um iceberg que está a partir o país a meio.
Diário Económico | 17.12.2015
A bout de souffle
Politicamente ferido por uma derrota eleitoral, eticamente colado a vagas e oportunistas papeletas secretamente assinadas nos esconsos da Assembleia com os partidos da esquerda não-democrática (e também com Heloísa Apolónia), moralmente desacreditado pela golpada com que a todos (com a excepção de Pedro Nuno Santos e Carlos César) ludibriou, lá chegou António Costa, o usurpador, a primeiro-ministro.
Por entre o ‘excel’ ridente martelado por Centeno e uma economia anémica; por entre o garrote de Bruxelas e as promessas a cobrar pelo desvario dos inconfiáveis PCP e BE; por entre o peso da realidade e a leveza da alucinação esquerdista, a Costa, o funambulista, e ao XXI Governo Constitucional nada sobrará além de um diário exercício de equilibrismo circense. E de vale-tudo.
À falta de escrúpulos que Costa, o contorcionista, nos habituou – e o espantoso uso orwelliano da linguagem no discurso de tomada de posse? –, junta-se um corpo de governantes-faca-nos-dentes a guardar o caminho estreito até as sondagens acenarem ao PS e irmos a eleições. Isto, naturalmente, se Costa, a rã, não perder o fôlego de sobrevivente no Kama Sutra quotidiano que vai ter de praticar com os escorpiões da extrema-esquerda.
Diário Económico | 30.11.2015
Por entre o ‘excel’ ridente martelado por Centeno e uma economia anémica; por entre o garrote de Bruxelas e as promessas a cobrar pelo desvario dos inconfiáveis PCP e BE; por entre o peso da realidade e a leveza da alucinação esquerdista, a Costa, o funambulista, e ao XXI Governo Constitucional nada sobrará além de um diário exercício de equilibrismo circense. E de vale-tudo.
À falta de escrúpulos que Costa, o contorcionista, nos habituou – e o espantoso uso orwelliano da linguagem no discurso de tomada de posse? –, junta-se um corpo de governantes-faca-nos-dentes a guardar o caminho estreito até as sondagens acenarem ao PS e irmos a eleições. Isto, naturalmente, se Costa, a rã, não perder o fôlego de sobrevivente no Kama Sutra quotidiano que vai ter de praticar com os escorpiões da extrema-esquerda.
Diário Económico | 30.11.2015
Contra o(s) Estado(s): da corrosão (pública) da intimidade
O bater de asas em Moscovo, o colapso do colapso do coração em Teriberka.
Kolya é não apenas o homem mas todos os desapossados e esmagados pela jugo da corrupção total. Nada escapa ao Leviatã devorador. Nada. Muito menos a alma humana.
É crimonoso o desprezo a que votamos quem, criminosamente, despreza a Humanidade.
Leviathan | Andrey Zvyagintsev | Rússia/2014
(Submissão) Schengen Area Revisited
De excepção em excepção, de restrição em restrição, o Espaço Schengen tem vindo a ser revisto ao sabor dos acontecimentos e do medo.
A distopia europeísta em curso, construída a partir da crença na intrínseca bondade humana e orlada numa bonita retórica multicultural para consolo da boa consciência das elites bruxelenses, apagou a Europa do concerto das potências, paralisou-a em contradições internas e alimentou durante décadas no seu coração o ninho da serpente onde prospera o terror.
Mais do que qualquer restrição interna à circulação, urge o diálogo e o envolvimento com os países (e civilizações) que fazem fronteira com a Europa e a afirmação vigorosa da perenidade dos valores europeus. Da Turquia aos poucos Estados que ainda sobram na linha do Mediterrâneo é indispensável implicar a comunidade internacional no drama dos refugiados; a todos, aos que cá estamos e aos que pretendem vir, devem ser claros os valores com que de há milénios se ergue uma Europa que recusa ser refém do terror.
Caso contrário – como a multidão que Kavafis reuniu no fórum, obnubilada consigo própria e ofuscada com o brilho decaído das jóias do seu passado – estamos condenados a lamentar: E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros?/ Essa gente era uma espécie de solução.
Diário Económico | 20.11.2015
A distopia europeísta em curso, construída a partir da crença na intrínseca bondade humana e orlada numa bonita retórica multicultural para consolo da boa consciência das elites bruxelenses, apagou a Europa do concerto das potências, paralisou-a em contradições internas e alimentou durante décadas no seu coração o ninho da serpente onde prospera o terror.
Mais do que qualquer restrição interna à circulação, urge o diálogo e o envolvimento com os países (e civilizações) que fazem fronteira com a Europa e a afirmação vigorosa da perenidade dos valores europeus. Da Turquia aos poucos Estados que ainda sobram na linha do Mediterrâneo é indispensável implicar a comunidade internacional no drama dos refugiados; a todos, aos que cá estamos e aos que pretendem vir, devem ser claros os valores com que de há milénios se ergue uma Europa que recusa ser refém do terror.
Caso contrário – como a multidão que Kavafis reuniu no fórum, obnubilada consigo própria e ofuscada com o brilho decaído das jóias do seu passado – estamos condenados a lamentar: E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros?/ Essa gente era uma espécie de solução.
Diário Económico | 20.11.2015
o estado a que chegámos
A partir da rodagem d'O Estado das Coisas (1982) chegamos a Lisboa e ao final deste 2015. Atravessámos um país à velocidade das transformações aceleradas e das bruscas travagens sociais. Viagem por um país, pela cultura de um país, condenado a reconhecer-se pelo olhar do outro.
Wim Wenders | À luz do dia até os sons brilham
Fora do Mundo
Com aplauso e comoção dos “democratas” militantes de todos os comunismos - que se veem já alçados ao poder - Costa vai fazendo a única coisa que pode fazer: sob os auspícios de um “acordo histórico” saciar os espoliados do regime pelo governo anterior.
O anúncio a conta-gotas da ‘defesa do emprego, salários e pensões’ – a sublinhar públicas dificuldades em alcançar um acordo que pouco mais é que privadas ambições de poder – não mais é que o regresso ao festim orçamental dos viciados no dinheiro dos outros.
Nas últimas semanas fomos aprendendo que para Costa tudo o que é deixa de ser. Ainda que o PS socrático-costista se alimente da redefinição permanente da linguagem como estratégia de desestabilização da realidade, a realidade não deixa de ser o que é: uma besta. E é exactamente aí, na realidade, onde se desfazem os “outros mundos possíveis” em que habitam as brilhantes cabeças da nossa esquerda. O anúncio de mais austeridade (preventiva) vem colocar o devaneio esquerdista no seu preciso lugar: fora da realidade.
Diário Económico | 9.11.2015
O anúncio a conta-gotas da ‘defesa do emprego, salários e pensões’ – a sublinhar públicas dificuldades em alcançar um acordo que pouco mais é que privadas ambições de poder – não mais é que o regresso ao festim orçamental dos viciados no dinheiro dos outros.
Nas últimas semanas fomos aprendendo que para Costa tudo o que é deixa de ser. Ainda que o PS socrático-costista se alimente da redefinição permanente da linguagem como estratégia de desestabilização da realidade, a realidade não deixa de ser o que é: uma besta. E é exactamente aí, na realidade, onde se desfazem os “outros mundos possíveis” em que habitam as brilhantes cabeças da nossa esquerda. O anúncio de mais austeridade (preventiva) vem colocar o devaneio esquerdista no seu preciso lugar: fora da realidade.
Diário Económico | 9.11.2015
A Fonte Luminosa secou
Desconhecemos o que vai sobrar depois do burlesco onde estamos metidos pela cegueira socialista.
O que sabemos é que o ressentimento e a arrogância são o ‘leitmotiv’ de António Costa e de um Partido Socialista erguido à volta da intratável herança socrática. A partir daqui tudo é possível. E o seu contrário também.
Costa poderá até vir a ser saciado na demanda ilegítima pelo poder. Costa poderá até, a curto prazo, regressar ao andor em que foi levado pelas ruas da paróquia até ser deposto a 4 de Outubro. Mas o legado que se projecta é a de um PS que no futuro suportará o pesado fardo de ter aberto as portas do poder à esquerda anti-democrática. Coisa de somenos se se tiver em conta a tradição socialista de, à esquerda, ser barragem à demência dos vários comunismos.
O desconchavo de um tempo em que se ergue o absoluto vazio de António Costa a bardo de uma esquerda política e culturalmente patológica pode apenas, por enquanto, ser travado por Cavaco Silva que, em estertor final, observa o óbvio: o governo de um Estado democrático não pode ser suportado por partidos anti-democráticos. Muito menos a ele pertencerem.
Diário Económico | 31.10.2015
O que sabemos é que o ressentimento e a arrogância são o ‘leitmotiv’ de António Costa e de um Partido Socialista erguido à volta da intratável herança socrática. A partir daqui tudo é possível. E o seu contrário também.
Costa poderá até vir a ser saciado na demanda ilegítima pelo poder. Costa poderá até, a curto prazo, regressar ao andor em que foi levado pelas ruas da paróquia até ser deposto a 4 de Outubro. Mas o legado que se projecta é a de um PS que no futuro suportará o pesado fardo de ter aberto as portas do poder à esquerda anti-democrática. Coisa de somenos se se tiver em conta a tradição socialista de, à esquerda, ser barragem à demência dos vários comunismos.
O desconchavo de um tempo em que se ergue o absoluto vazio de António Costa a bardo de uma esquerda política e culturalmente patológica pode apenas, por enquanto, ser travado por Cavaco Silva que, em estertor final, observa o óbvio: o governo de um Estado democrático não pode ser suportado por partidos anti-democráticos. Muito menos a ele pertencerem.
Diário Económico | 31.10.2015
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