| Na fonte de teus olhos vivem os fios dos pescadores do mar-errância. Na fonte dos teus olhos cumpre o mar a sua promessa. Coração entretido entre os homens, aqui arremesso minhas vestes e o fulgor de um juramento: Mais negro no negro, estou mais nu. Só sendo traidor sou fiel. Eu sou tu quando sou eu. Na fonte de teus olhos vogo e sonho a pilhagem. Um fio prendeu um fio: separamo-nos enlaçados. Na fonte de teus um enforcado estrangula a corda. [Elogio da Lonjura | Paul Celan / Trad. Gilda Lopes Encarnação + Sede EDP, Aires Mateus & Associados, Lda., 2014] |
Elogio da Lonjura
A Casa
Se por acaso buscas
o verde exacto das folhas
a perfeição da linha que as atravessa e conta quantos dias faltam até à queda no chão
Digo-te que não traces medidas nem planos
Pois o céu mudará de cor e a terra ficará mais húmida
e da janela verás
como o vento sacode as copas amarelas e assobia à nossa porta.
E ainda assim
todos os dias são de primavera.
Jardim das Amoreiras, R.
Fossa Séptica Cultural
Mapas para as Estrelas é a evidência de que a doença que padecem os nossos dias é tão só cultural. Hollywood é uma casa de putas e o ego é a substância mais tóxica que cada um (de nós), viciado, consome: pestilento é o ar que respiramos.
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A minha Pátria é o meu iPhone
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DESH | Akram Khan Company / 2014 |
'Não faço a mínima ideia onde estou', replica Khan, em Londres, ao miúdo do call center, no Bangladesh. Uma metáfora mas também, depois uma viagem literal: 'Já sei onde estou'.
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advenire
Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Can you feel my heart beat?
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20,000 Days on Earth | Iain Forsyth, Jane Pollard + Nick Cave / 2014 |
A memória é edição do que se vai amontoando ao canto sem razão. Pelos corredores dos arquivos mortos do que somos, fomos, queríamos ter sido, o passado é permanente reconstrução que vem.
Nick Cave é a sageza que ele próprio teve ao inventar o Nick Cave. Visceralmente idolatrado pelas multidões que reconhecem a cada 3 minutos de qualquer canção sua pedaços da Verdade, Nick Cave foi tecendo a persona Nick Cave para lhes poder dizer: são apenas canções. O Nick Cave, obcecado com a canção, tem que ser Nick Cave para prosseguir a vidinha habitualmente. |
O tempo passa? Não passa / no abismo do coração.
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Boyhood | Richard Linklater / 2014 |
Passa o tempo e as coisas nunca encontram os nomes. As coisas que colidem, que se desencontram, que se desacertam, as coisas que se acertam, eventualmente, as coisas que se perdem, as coisas que se desaprendem. As coisas banais, as autênticas, as reais. E talvez seja essa a forma em Boyhood e nos nossos dias banais, em acerto desacertado com a substância da vida.
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Whormhole
Interstellar | Christopher Nolan / 2014 |
No fundo, o rigor físico que (dizem) Nolan usou em Interstellar cavou um pouco mais o buraco negro da nossa ignorância científica sobre a causa primeira do Universo, da existência, do sentido de tudo isto. Sobra talvez um detalhe, um pequeno diálogo perdido no meio do filme e do Espaço. Uma hipótese que, tanto quando se sabe, não está em cima da mesa de qualquer laboratório de astrofísica, nem sequer no do Vaticano (por falar nisso, o que pensar da politicamente correcta ausência da hipótese de ter sido Deus o Criador?). Um ensaio que não possa ser, com a tecnologia disponível, exactamente verificada pelo método experimental. A hipótese do Amor ser uma outra dimensão, a juntar às já conhecidas, e de ser essa dimensão a que transcende o reino do tangível e verificável que, apesar de toda a maravilha, nos prende ao meramente sensível.
Se o 'Amor liberta', como se canta desde o nascimento da Humanidade, talvez seja boa ideia dar uma chance a Brand de encontrar algures por aí o que procura desde o dia em que nasceu. |
o avesso do avesso do avesso
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Nightcrawler | Dan Gilroy / 2014 |
Pode ser uma alegoria do 'capitalismo selvagem'. Pode ser uma alegoria da fabricação das imagens que consumimos em prime-time. Pode ser uma previsão da distopia onde estaremos todos online mas desvinculados do próximo. Pode ser a visibilidade do não tão subtil processo de dessensibilização ao outro e à violência a que todos os dias somos sujeitos. Pode ser uma desmontagem do valor que se atribui às imagens e de como é quem atribui esse valor. Pode ser a desocultação do valor das imagens como mera mercadoria que se consome, descarta e gera lucro.
Nightcrawler é uma grande ideia, maior que o filme. |
Teologia Política
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O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente yada yada yada, a lenga-lenga dos petizes moralistas, sem entender que o poder obedece, por definição, à lógica da decisão, da escolha, da separação, da desunião, logo, da violência, da corrupção. Assim é desde que Caim matou Abel, assim será até à segunda vinda de Cristo.
House of Cards é obsceno. No sentido literal do étimo porque traz à cena aquilo a que não deveríamos ter acesso. Não é a pequena política da West Wing. É o Poder. E o Poder, a lógica do poder - inversa da da Caridade (Amor) - sugere o Homem como Deus. A Francis Underwood, a figura semi-divina, o paradoxal servil-king-maker, não interessa tanto chegar à Sala Oval, apesar de o parecer, a Francis Underwood interessa mais mandar sobre quem ocupa a Sala Oval. E é essa condição, auto-legitimada, que não deve justificação a nada nem a ninguém (so long checks & balances), amoral porque centrada em si mesmo e na Vontade de Poder, que dispõe da vida e da morte de acordo com esse desígnio total e totalitário. E é esta ideia e esta praxis do Poder que constrói os estados contemporâneos, onde cada um de nós é apenas sujeito da grande máquina que escapa ao entendimento da vida quotidiana, da (nossa) vida narcotizada em consumo e desperdício que gera mais consumo e mais desperdício, a caminho, um pouco mais todos os dias, da servidão. House of Cards é uma Teologia Política de um Mundo sem Deus e Francis Underwood o seu Sumo-Sacerdote. |
Sínodo LGBT
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Antes de mais, destas últimas semanas ficaríamos com a ideia de que o que sucedeu em Roma, ao invés de um Sínodo dos Bispos sobre a Família, teria sido, antes, um sínodo LGBT, tal a profusão de notícias contraditórias e a confusão difundida por Roma. E a confusão, diz-nos a Doutrina, é diabólica.
No entanto, destas últimas semanas podemos reter, no essencial, o que tem sido a Igreja na sua relação com o mundo. A Igreja pós-conciliar. Da relação da Igreja com o mundo pelos media: profeticamente disse ainda hoje o Arcebispo Chaput, de Filadélfia, colhermos informação na imprensa é um equívoco. A imprensa, sabemo-lo, está interessada na espectacularização da dissensão e, em última análise, no ataque à Igreja. E, como a ignorância abunda nas redações, facilmente obtemos explicação para parte da confusão difundida a partir de Roma. Mas não explica toda. (E sobre esta relação Igreja/media recomendo a leitura de um post do Tiago Cavaco, pastor Baptista, no blog A Voz do Deserto, a propósito do despropósito deste Sínodo.) Nota também para o equívoco que é a suposta abertura e «transparência» deste Sínodo em que, pela primeira vez, não foi permitida a publicação das transcrições de todas as intervenções do colégio sinodal. Depois, vários vícios, diria dogmas, seculares, que, como também profeticamente avisou o Beato Paulo VI, são o «o fumo de Satanás no altar do Senhor». De todos eles, o maior, o da «democracia», como se esta não fosse parte, não o todo, do processo de decisão que emana da Tradição. E como se o estado das puras democracias ocidentais não fosse lamentável para que não lhes puséssemos a vista no exemplo do que é o Bem-comum sitiado por interesses particulares e divisionistas. Depois, o clássico de inspiração marxista, «conservadores» vs. «progressistas» e a concomitante acrobacia semântica que faz do conservador uma figura cavernícula a bramir a inexorável marcha do «progresso» e dos amanhãs que cantam. Também de inspiração marxista, chegamos ao núcleo do que tem sido este Sínodo dos Bispos sobre a Família visto pela imprensa: a agenda LGBT (política, portanto) já hegemónica nas redações e tornada como que uma realidade inquestionável, dogmática, diria, da contemporaneidade iluminada a povoar as consciências tomadas pelo aggiornamento permanente da Igreja. Vamos por partes. Experimentamos hoje uma tremenda dificuldade em ouvir sem exaltação irracional e alguma ira a doutrina tradicional da Igreja no que toca à moral sexual e familiar. No mundo hiper-sexualizado e do prazer de imediata satisfação, a mensagem da castidade e do sexo como dádiva não encaixa. O homem moderno, habituado a ver atendidos todos os seus desejos, ou antes, caprichos, resiste a aceder, muito menos compreender, o que é dito pela Igreja. A vontade de emancipação radical deste sujeito moderno leva-o à grande recusa de qualquer obstáculo que se possa interpor entre o desejo e a imediata satisfação deste. É correcto o diagnóstico que há pouco tempo fez a Conferência Episcopal Alemã, que refere, sobre a incapacidade da doutrina exposta na Humanae Vitae chegar ao coração dos homens. Estes mesmos homens, mergulhados na mais narcotizada atmosfera cultural que o Ocidente experimentou, erguem-se, do meio do lamaçal da irracionalidade em que habita, para, com soberba e orgulho (doenças típicas de um certo modernismo), reclamar a sua subjectividade e umbigo como o novo Absoluto. O eu elevado a Deus. A egolatria que devém psicose: o capricho como forma de leitura do mundo e, consequentemente, princípio de organização do real. Daqui à construção de uma obsessiva ideia de democracia como palanque onde os outros terão imperiosamente que ouvir e cumprir a vontade do eu é um instante. Da polifonia onde se ouça a voz de cada crente, de cada homem, e que canta toda a Igreja, passamos rapidamente ao ruidoso coro da dissensão do mundo. É este o primeiro momento do ataque à Tradição. Um ataque caucionado por uma ideologia que anuncia a tábua rasa do passado, logo da Tradição, em prol da novidade permanente. E a novidade, parece, é a homossexualidade e o adultério e as separações. Coisas nunca vistas e experimentadas pela humanidade e descobertas há coisa de 5 anos pela faróis do progresso civilizacional em gabinetes de estudos sociais da Academia Ocidental. De que falamos quando falamos de «acolhimento» a homossexuais e a divorciados recasados? Falamos em rasgar as epístolas de Paulo? Falamos em renunciar ao anúncio sempre novo da Verdade do Evangelho na Pessoa de Cristo e dos ensinamentos (moral) que dimanam sempre fulgurantes do Salvador? Falamos em esquecer a realidade do mal e da pessoa de Satanás (e o Papa Francisco amiúde se lhe refere) e do pecado, que tantas e tantas vezes para eles somos alertados por Cristo? Falamos em abolir o 6º mandamento da Lei Mosaica? Falamos em abrir brechas na beleza da doutrina tradicional da moral sexual e familiar por causa da exigência desta, escudados na sensibilidade contemporânea do hedonismo radical? Falamos em desistir da bondade da Verdade por troca com o "bonismo" (Papa Francisco), do sentimentalismo e auto-indulgência com que vivemos? De que falamos então quando falamos em "acolhimento"? Obviamente que o sofrimento dos irmãos, de todos os irmãos, deve ser a prioridade dessa Igreja-hospital-de-campanha anunciada pelo Papa Francisco. Deve ser a prioridade de todos nós, em obediência ao imperativo da Caridade e do Amor. Mas a Misericórdia não pode ser a erosão do rigor doutrinal, a Misericórdia não pode ser dita como novo fariseísmo que, desta vez, decorre do mundo radicalmente secular, a Misericórdia não é, jamais, contradição com a Verdade. A Misericórdia não é complacência. Muito pelo contrário. O texto de Kasper enferma em várias contradições, ainda que possa sugerir uma nova direção pastoral sobre estas matérias. E, de caminho, abrindo o recurso à excepcionalidade e às irrepetíveis circunstâncias de cada caso (o óbvio ululante), mina, não o edifico doutrinal, mas a condenação não ao pecador mas ao pecado. Por outro lado, é espantoso que num debate sobre moral sexual e família, no afã da novidade e de 'acompanhamento' do mundo, não se ouça uma palavra a partir da magistral Teologia do Corpo de S. João Paulo II que, recorde-se, foi uma brutal resposta a, lá está, novos problemas, entre os quais o aparecimento da SIDA, dentro dos ensinamentos da Igreja. Espantoso também como a Verdade, o mal, o pecado, a caridade (amor) são termos quase apagados da gramática do que temos ouvido ultimamente e com mais estridência de dentro da Igreja - sim, a semântica também molda a realidade. Como disse o Cardeal Dolan, em resposta a Kasper (por acaso, ou não, autor de infelicíssimas e lamentáveis acusações às igrejas africanas), não é a Igreja que tem que ser transformada pelo mundo, é o mundo que necessita de ser transformado pela Igreja. E isso, a Igreja só o poderá fazer se proclamar com alegria a Verdade de Cristo; se permanentemente se converter a essa Verdade, ciente das suas misérias e pecados. A Igreja e todos nós. Tudo isto deixar-nos-ia perplexos e desorientados, como se de Roma ainda erradiasse a grande recusa do Papa Bento XVI e a sede vacante fosse o estado actual da cadeira de Pedro. Não fosse a fé de que o Espírito Santo conduz a Igreja ao altar onde, santificada, seja a verdadeira esposa de Cristo. |
Denúncia
Democracia, alfa e ómega dos clérigos laicos contemporâneos, vive disto: de «denúncias».
Para além da óbvia fealdade da palavra e da obscenidade do acto, é esclarecedor que o «debate público» - outra ficção do país dos póneis democráticos - se faça sobre e a partir de «denúncias» e da ruína moral de todos. |
SubSolo
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Coisas que acontecem em Lisboa quando vêm as chuvas e necessitamos, necessitamos sempre, de um milagre: "O céu devia estar cheio de rezas e choros, porque nessa tarde condensou a água de repente e choveu tudo duma vez. Fez-se escuro como a pele dum rato e, minutos depois, largou o peso na terra."
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arquitectura & poder
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Power is a lot like real estate. It's all about location, location, location. The closer you are to the source, the higher your property value. |
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Such a waste of talent. He chose money over power. In this town, a mistake nearly everyone makes. Money is the Mc-mansion in Sarasota that starts falling apart after 10 years. Power is the old stone building that stands for centuries. I cannot respect someone who doesn't see the difference. |
A Educação Pela Pedra
quando entender que as casas são feitas de gente que foi feita por gente e que contém em si a possibilidade de fazer gente. [Two-Lane Blacktop, Matilde Campilho, in Jóquei] |
Cada geração tem a Copa que a define
| Há algo de bonito em ser um país que usa as Copas para recordar de si mesmo. Perceba: não há uma conversa sobre o Mundial em que nossas memórias não sejam convocadas. Parece um caminho que facilmente nos explica, balizando o tempo em meio a nossas histórias e ainda define nossas gerações, como as guerras definem as gerações americanas e os golpes, as tailandesas. Pelas Copas, sabemos o que ouvíamos, o que sorríamos, o que chorávamos, com mais facilidade e precisão do que, por exemplo, pelos Carnavais. Eu? Eu sou da geração que viu o mundo encaretar antes de ter idade para aloprar. Fechei os anos 80 com 11 anos, na zona oeste do Rio. Não cheirei na Hippopotamus, não tive blazer com ombreiras, perdi a virgindade com camisinha – algo impensável para os meus tios. Quando virei adolescente – 12 anos em 1990 -, meu mundo tinha medo da Aids, da hiperinflação, dos excessos de cores e de 4-3-3 com um único cabeça de área. Era um ensaio do pós-Apocalipse: ganhávamos pouco, tudo perdia valor rapidamente, só nos restava abrir mão do prazer em nome da sobrevivência. Camisinha. Compras do mês. Dois volantes. Três zagueiros. A Copa de 1990, de lazarônica lembrança, foi a epítome futebolística de um mundo que morria de medo de gozar. A Itália registrou a pior média de gols dos Mundiais – 2,21 por partida – num festival de empates surdos selado por uma final controversa e a sensação de que talvez o futebol trouxesse ansiedades demais. O zen-budismo surgia como possibilidade de remédio contra essas angústias. Acabaríamos, por caminhos tortos, chegando ao Nirvana no ano seguinte, e o Nirvana acabaria em 1994. Todo niilismo tem fim, e não vestiríamos flanela no verão americano. A economia ensaiava uma reação, e Parreira parecia um economista da PUC-Rio no comando de medidas impopulares: Dunga e Mauro Silva, com vistas a Bebeto e… Müller. Não, isso foi até 1993, quando Romário voltou à camiseta canarinho nos brados do povo. Mesmo assim, até as mulheres reclamavam, já que os shortinhos tinham se encompridado em bermudas de surfista. Em múltiplos sentidos, 1994 foi o ano que marcou minha geração. Aos 16 anos, eu continuava virgem, mas já era campeão do mundo e a latinha de coca era R$ 1. Trocávamos Senna por Romário, e muito embora zero a zero e pênaltis fossem um final meio mais ou menos, ser tetra era um barato, e nossas adolescências estavam salvas. Se me dissessem que, vinte anos depois, a Copa seria num Brasil de tanto prazer represado, de medos renovados e ranço, eu jamais acreditaria. Carregamos esta Copa como um fardo, envergonhados por não sermos o que nunca fomos. Por outro lado, vimos um país no divã, desconstruindo a si mesmo, em busca de seu verdadeiro eu, evitando ao máximo o transe do futebol como se fosse não apenas um vício, mas uma crendice que deveríamos abandonar em nome do desenvolvimento, do próximo passo, da quebra de padrão. O melhor legado desta Copa 2014 foi reunir tanta gente em torno de um debate de país. Talvez esta Copa tenha sido fundamental para o alvorecer de uma nação diferente, catalisando almas, frustrações e sonhos, mais do que obras, mais do que investimentos. Só ficou chato quando começamos a negar a nós mesmos, minimalizando nossa vocação de festa. Como se, depois da encaretada da culpa sexual, fosse a vez da encaretada da utopia, enquadrando o prazer e revistando a consciência nacional. Fechados para balanço, entendemos que o futebol muito nos deu como nação e orgulho, mas muito nos tira também. Que não é direito básico nem religião, embora nos inspire e nos una em torno de algo que se sente ao longo de 8 milhões e meio de quilômetros quadrados. Que é um dos fios que seguram essa trama, como a língua portuguesa e a herança cristã que também respiramos sem ver. Que nos situa no tempo e ainda nos define cada geração, melhor do que qualquer guerra, revolução ou golpe. E daí que você não vê muitas ruas pintadas de verde e amarelo, se todas as conversas e olhares já estão enfeitados com lembranças e fervor? Vamos reconhecer nosso habitat, sim, nos olhos dos turistas, dos jornalistas, dos jogadores e das crianças, que se explicarão a partir de nós, daqui a 20 anos – ou apenas cinco Copas. Márvio dos Anjos / Globo Esporte |
Mitteleuropa
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É reconfortante que a viagem tenha uma arquitectura e que seja possível contribuir com algumas pedras para esta última, embora o viajante pareça ser não tanto alguém que constrói paisagens – tarefa do sedentário – como alguém que as desmonta e desfaz, à semelhança do barão von R. descrito por Hoffman, que corria mundo coleccionando panoramas e, quando o considerava necessário para gozar ou criar uma bela perspectiva, mandava cortar árvores, desbastar ramos, aplanar as irregularidades do solo, abater florestas inteiras ou demolir fábricas que tolhessem o olhar. Mas também a destruição é uma arquitectura, uma desconstrução que segue regras e cálculos, uma arte de decompor e recompor, ou seja, de criar uma outra ordem: quando um muro de folhagens caía de súbito, abrindo a imagem das ruínas de um castelo longínquo na luz do crepúsculo, o barão von R. detinha-se alguns minutos a contemplar o espectáculo que ele próprio encenara e depois voltava a partir à pressa, para não mais ali regressar.
Danúbio | Claudio Magris, 1986 |
elogio do fracasso
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I No se engañe: los libros de autoayuda sólo ayudan al autor. Por eso se llaman de “auto” –uno mismo- “ayuda”: me ayudo a mí mismo a ganar dinero con los incautos que lo comprarán. Y no se engañe: la vida tiende al fracaso. De hecho, fracasa siempre porque se termina. Todo el mundo muere, incluso los autores de libros de autoyuda. Es más: se muere todo tarde o temprano. Una rosa, normalmente, muere antes que usted. Un perro también puede morirse antes que usted. Un trozo de mármol dura más, pero acaba convirtiéndose en polvo al cabo de unos cuantos milenios. Mueren las galaxias, imagínese. O sea que no se haga ilusiones, se lo repito: todo el mundo muere –y digo mundo en el sentido más amplio, más cósmico- y los autores de libros de autoayuda y los anuncios pretenden convencerle de lo contrario. Aceptar el fracaso es aceptar no una, sino LA –con mayúscula- ley de esta vida que nos ha tocado vivir. Nos ha tocado, sí. Ni a usted ni a mi nos pidieron permiso para nacer. Nos nacieron. Tampoco nos pedirán permiso a la hora de la muerte. Ésta llegará inexorable cuando tenga que llegar. Acéptelo también. Acéptelo de una vez. Todo el impresionante mecanismo económico-político-militar que nos envuelve –que nos exprime- se fundamente en la curiosa idea de hacernos creer que somos eternos y que viviremos aquí en este planeta para siempre y seremos felices y comeremos perdices. No. Rotundamente no. Usted como yo –léalo en voz alta- VAMOS A MORIR. (Sí, como en las malas películas de terror cuando se acerca el asesino con una motosierra y es obvio que quiere cargarse a todo el mundo). Cuanto antes acepte usted con cierta paz –con mucha ni lo intente: fracasará- que va a morir, antes alcanzará un grado razonable de felicidad. Bien. Pero analicemos el párrafo que está dos más arriba que éste. Decía que a usted y a mí nos nacieron sin pedirnos permiso. Usted se da cuenta de que esto es absoluta y completamente cierto. Por lo tanto, la frase más típica de los libros de autoayuda –no sólo la frase, sino el alma entera de todo libro de autoayuda que se precie- que es aquella de “soy un hombre hecho a mi mismo” –self made man, en inglés- es falsa. Es una mentira. Los autores de libros de autoayuda y todo el sistema que nos envuelve pretenden hacernos creer que nos podemos construir a nosotros mismos en plan “bricolaje”, como si fuéramos piezas de un juego de niños (de hecho, pintan tan fácil tener éxito en la vida como un juego de niños). Han logrado convencer a muchos millones de señoras y señoritas en todo el mundo del hecho absurdo de que pueden construirse a ellas mismas eternamente a base de operaciones de cirugía estética y de cremas milagrosas. Lamento tener que ser crudo: las operaciones de cirugía estética y las cremas servirán de sabrosa comida a la enorme variedad de gusanos y gérmenes que habitan felices –ellos sí- en un cadáver que se descompone. Están exportando el invento a los hombres con notable éxito para las cremas y los gimnasios y un éxito apoteósico para pastillitas que ayudan a tener erecciones, o incluso priapismo, a señores que o bien ya no deberían tenerlas, o bien deberían tenerlas pero no con la frenética frecuencia con que las tiene un chaval de 17 años. ¿Qué hay de malo en que un abuelo tenga erecciones y, lógicamente, relaciones sexuales a los 98 años? En principio, nada, si su sistema cardiovascular se lo permite. El problema es que el abuelo en cuestión puede llegar a creer que las erecciones le durarán hasta los 349 años, y esa edad –estaremos de acuerdo- es muy difícil que llegue a cumplirla. A las señoras de 84 años con pechos de jovencita de 23 les sucede lo mismo. No entienden que los pétalos de las rosas se marchitan y se caen y que un seno artificial es lo más parecido a una rosa de plástico. Entre otras cosas peores, huele a plástico. Permítame una digresión. Mi mujer acaba de leer lo que llevo escrito. -Qué triste, qué pesimista, qué mal –dice. -Ya, cariño. Pero es la verdad –digo. -Vale, pero no hace ilusión leerlo –dice. -Perfecto. Entonces este libro será un fracaso, que es lo que pretendo –digo. Y prosigo. Naturalmente, me enciendo otro cigarrillo. Fume usted en paz. O no fume, haga lo que quiera. Si es de los que intentan dejar de fumar y no pueden, no se agobie. Como todos los fracasos de la fuerza de voluntad, es normal. El hombre o la mujer de la calle, la mayoría de nosotros, tenemos muy poca fuerza de voluntad. Es más, tenemos muy poca fuerza para hacer cualquier cosa por pequeña que sea. Usted intenta no enfadarse con sus hijos y no lo consigue. Intenta sonreír más a menudo a su mujer y no lo consigue. Intenta poner buena cara con aquel pesado de la oficina y no lo consigue. Intenta no tomarse el tercer whisky y no lo consigue, por el contrario, se toma otro y se abraza a sus amigos de mesa; y luego otro y, ya sabe, comienzan los insultos a la autoridad y al clero. Y a la mañana siguiente tiene usted que recurrir al ibuprofeno para presentarse en el trabajo con un aspecto que recuerde, aunque sea vagamente, al de un ser humano. Normal. Son pequeños fracasos. La vida está llena de pequeños fracasos. No se agobie. II No se agobie y piense. Hubo un hombre nefasto, que vivió hacia finales del siglo XVIII y que se llamaba Juan Jacobo Rousseau, que tuvo la ocurrencia de decir que el hombre es bueno por naturaleza y que es la sociedad la causa de todos los males. Si usted se mira al espejo, antes o después de tomarse el ibuprofeno, se dará cuenta de que la sociedad no pinta nada en su decisión de tomarse seis whiskys; y que la sociedad no pinta nada en su mente: cuando decidió, antes de esa cena, que iba a tomarse sólo un digestivo y se iría a casita para no disgustar a su santa. Usted se lo propuso con muy buena intención, pero fracasó –de nuevo- en el intento. ¿Qué gaitas tiene que ver la sociedad en todo esto? A media mañana, cuando el ibuprofeno ha hecho su efecto y usted ya lleva cuatro cafés, lee un poquito el diario en el bar. Las noticias dan miedo. Cómo está el mundo, qué desastre. Y usted, persona con una cierta cultura, se da cuenta de que el mundo ha estado así siempre y que no va a mejorar por mucho que la ciencia moderna y el estado moderno se empeñen en hacernos creer lo contrario. El hombre de Galilea dijo que siempre habría pobres entre nosotros y habló de guerras y otros desastres. Usted se lo puede creer o no, pero es evidente que acertó. Y es que el hombre, usted y yo, no es, no somos, buenos por naturaleza. Más bien somos malos, incluso podemos ser muy malos. Mírese otra vez al espejo. ¿Recuerda aquella vez que…? Sí, aquella vez. Bien. Podemos ser muy malos. Por lo tanto, bueno, sea comprensivo con la maldad ajena –vuelva a recordar aquella vez que... antes de decirme que jamás será comprensivo con quién usted ya sabe-. Y por lo tanto, no se desespere y acepte en paz que estamos estropeados desde el principio por alguna causa misteriosa. Tampoco se empeñe en desvelar todos los misterios: es algo que no está a nuestro alcance; de hecho, está tan lejos de nuestro alcance como sonreír al vecino pesado de la oficina. No se haga ilusiones sobre usted mismo. Si no se las hace, será más feliz, se lo garantizo. Dicho con otras palabras: acéptese como es y acepte las circunstancias de su vida, sean las que sean; entre otras razones, porque no hay más que su circunstancia presente: el pasado ya no existe y el futuro tampoco existe, dado que aún no ha llegado. Por mala que sea su vida, ¿preferiría estar muerto o no haber nacido? Si la respuesta es sí, deje de leer inmediatamente, coja una pistola y péguese un tiro o láncese al vacío desde un décimo piso –para asegurar que se convertirá en una papilla con tropezones bastante desagradable-, o haga lo que quiera, pero mátese. En el caso, más habitual, de que decida seguir viviendo su miserable vida, no tiene sentido andar lamentándose en exceso. Quiero decir que puede usted lamentarse cuanto quiera, pero le servirá de muy poco, o le servirá de momentáneo desahogo, como acordarse de la madre del árbitro que no puede oírle porque usted está en el palco y él, en el punto de penalti. No crea usted que exagero cuando digo lo de pegarse un tiro. Ayer mismo un niño de la clase de mi nieto se encontró a su padre muerto de un certero disparo de escopeta en la cabeza. El niño también encontró una nota: “No entres en el cuarto de baño y llama a la policía”. Un hecho brutal, sí. Pero si usted no tiene intención de hacer algo semejante y quiere seguir vivo, le daré algunos consejos absolutamente contrarios a todos los que pueda leer en los libros de auto-ayuda. III ¿Se ha fijado usted en un hormiguero? Es una comunidad pequeña, muy pequeña realmente. Un charco en el suelo, a los ojos de una hormiga, es el lago Michigan. El estanque de un jardín urbano es el mar Mediterráneo. Las montañitas de arena que hacen los niños pueden parecerle a la hormiga las cumbres de Navacerrada y, desde luego, un cerro tiene las proporciones del Everest. Imagine que hay hormigas buenas y malas. Imagine que las malas conspiran, secuestran y matan para alcanzar el poder en el hormiguero. Imagine que hay hormigas avariciosas que acumulan reservas de comida o de otras cosas –son las hormigas millonarias-. Imagine que hay hormigas que desean conquistar hormigueros vecinos, hormigas imperialistas. Imagine a las hormigas intelectuales tratando de imponer a sus congéneres sus ideas y su modelo de sociedad en el hormiguero y en todos los hormigueros del planeta. Imagine cuánto afán para ser…¿Los reyes de un hormiguero o de muchos hormigueros? ¿Los más ricos de un hormiguero? ¿Los más listos de un hormiguero? Bien. Considere que el planeta Tierra es casi infinitamente más pequeño que un hormiguero en comparación con la casi infinita extensión del universo conocido. Si añadimos lo que nos queda por descubrir del cosmos, la proporción se reduce a la de una partícula subatómica. El planeta es como un protón en un mar inmenso de galaxias. El planeta, además, es un bola de magma incandescente que viaja a gran velocidad alrededor de una especie de bomba atómica múltiple y gigantesca que llamamos sol. El planeta dispone, sí, de una corteza fina pero muy agradable a la vista en su mayor parte, que posibilita la existencia de vida. Sin embargo, a nadie parece importarle un comino lo que acabo de contarle. Encuentran normal viajar en una bola de fuego en medio del espacio sideral y encuentran normal romperse los cuernos por ser los reyes del hormiguero. Nadie se ha molestado en coger una enciclopedia y ver quiénes eran los tipos importantes de, pongamos por caso, la Argentina en 1867. Si están en la enciclopedia, nadie se acuerda de ellos. Como nadie se acuerda del gobernador de una provincia del imperio persa del año 359 de nuestra era. Como nadie recuerda quién era el Bill Gates de los hititas o de los asirios. Nada queda de la gran Babilonia salvo un montón de polvo y piedras. Nada queda de Nínive. Poquita cosa de Cartago. Y del antiguo Egipto, 6.000 años de historia, nadie recuerda el nombre de algún rico empresario de la época o de algún comerciante, a menos que se citen en papiros con relación al faraón de turno. Generaciones y generaciones de hormigas constructoras de hormigueros con forma de pirámide que viven en el anonimato milenario de las arenas del desierto, gentes que van y vienen y desaparecen de la orilla como las olas del mar. Nada. O casi nada. Y entonces aparece el autor de libros de auto-ayuda a decirle que dedique su vida a perseguir el éxito y a triunfar. Y se permite la desfachatez de decirle cómo se hace. IV No se gana mucho dinero honradamente. Olvídese. Conozco personas que han ganado dinero trabajando honradamente. Pero no han ganado mucho, muchísimo dinero. Muchísimo dinero es muchísimo dinero, usted ya sabe lo que quiero decir. Sin embargo, incluso esas personas que han ganado dinero, o mucho dinero, con su trabajo honrado, alguna vez han tenido que hacer cosas que, digamos, bordeaban los límites de aquello que es moralmente correcto. O han dejado hacer a otras personas cosas que estaban claramente fuera de los límites de lo que llamaríamos honestidad profesional. No se puede andar demasiado cerca del dinero sin que este dios avaro y orgulloso te manche de algún modo imperceptible. Lo que sí puedo asegurarle es que toda cantidad indecente de dinero está manchada de sangre humana. No es necesario que se cometan asesinatos: bastan unos despidos para mejorar la cuenta de resultados de la empresa; basta una triquiñuela para deshacerse de un par de socios; basta con apretar hasta la asfixia a aquel proveedor; basta con poner el dinero por encima de cualquier otro principio para que el dinero se cobre, con despiadada puntualidad, su precio en sangre humana. De modo que trabaje usted con tranquilidad para ganarse el pan, el suyo y el de sus hijos, si los tiene. El empresario tiene la obligación de pagarle. Si no lo hace, lárguese y denúncielo y busque otro trabajo. O monte cualquier negocio que le permita ganarse la vida. Volver al campo y cultivar un pedazo de tierra y cuidar unas gallinas, siempre ha sido una buena opción. Si usted cree que tiene una buena idea, intente concretarla. Las buenas ideas, como las buenas intenciones, si no se concretan no sirven para nada. Ya sabe que el infierno está lleno de buenas intenciones y de buenas ideas sin concretar. Si no tiene una buena idea, no pasa nada: la mayoría no tenemos buenas ideas, o no tenemos ideas en absoluto. Los que tienen ideas todo el rato viven en mundos paralelos y suelen perderse los perfumes de las rosas y las puestas de sol y las sonrisas de sus hijos. Si tiene una buena idea y no la lleva a la práctica, tampoco pasa nada: quede con unos amigos para cenar y tomarse algo y les cuenta su idea; lo pasarán muy bien y no harán daño a nadie. Trabaje si puede en aquello que le gusta, aunque no le extrañe que no le guste nada especialmente. Hay muy pocos afortunados que saben lo que les gusta y tienen la suerte de ganarse la vida con su afición. Procure, eso sí, que le acabe gustando aquello que hace: aunque le parezca aburrido y monótono ningún día es igual a otro, ningún momento es igual a otro. Y, sobre todo, ningún momento vuelve. Lo que ha vivido ya lo ha vivido, no hay marcha atrás ni repetición de la jugada. Por lo tanto viva cada momento con toda la intensidad y con toda la calma de que sea capaz. Yo mismo, ahora, estoy tecleando en este ordenador demasiado deprisa. Si lo hiciera más despacio, me daría cuenta de la maravilla que tengo ante mis ojos: le doy a unas teclas y, como por arte de magia, aparecen unas letras sobre una pantalla en blanco que se va llenando de palabras. Si tecleara más despacio es muy probable que escribiese mejor, pero no quiero ganar el premio Nobel –ni siquiera sé si quiero publicar este librito-, usted ya me entiende. Lo único que quiero es decirle que viva tranquilo porque, en realidad, hay muy pocas cosas que deban preocuparnos. Se fomenta la preocupación. Y ésta es la base del negocio de las aseguradoras. Juegan con el “por si pasa algo” con un descaro que produce vergüenza ajena. Juegan a hacerle creer que usted puede controlar su vida y sus circunstancias, lo cual, lo repito, es una enorme falsedad. Que usted y yo sigamos vivos no depende de nosotros. Que nos pongamos enfermos o que permanezcamos sanos no depende de nosotros. Y cuando caigamos enfermos, la aseguradora, si la cosa es grave, se deshará de nosotros a las primeras de cambio, después de subirnos la cuota a niveles estratosféricos. Y ya que hablamos de salud: viva feliz y olvídese del colesterol, del azúcar y de la tensión arterial. Las farmacéuticas y los médicos suben cada poco los niveles que consideran razonables para que usted crea que está enfermo y necesita una pastillita. El negocio de las pastillitas es uno de los que hace ricos a los avariciosos del hormiguero. No haga deporte. No. No haga deporte. Es malo para su salud y para su mente. El hombre está hecho para caminar. Si estuviera hecho para correr sería un guepardo. Pero incluso los guepardos duermen o descansan más tiempo del que pasan corriendo. Los animales sestean mucho y, en general, sólo se mueven para conseguir comida. Ninguno de nosotros conseguirá la bella musculatura de un león por más horas que pase en el gimnasio. Otra cosa es que a usted le guste correr o jugar a la petanca. Hágalo en paz, por supuesto. A mí lo que me da mucha pena es ver a tipos embutidos en chándales y camisetas “técnicas” de dudoso gusto, galopando como posesos, en un estado de cuasi crisis cardiorrespiratoria, por las calles de nuestras ciudades. Cualquier hormiga en su sano juicio diría que eso es una animalada. Se trata, lo ha adivinado, del lavado de cerebro al que nos han sometido los fabricantes de material deportivo: si la gente no corriese, ellos no venderían nada. Nos hacen creer que les importa nuestra salud y nuestra felicidad, lo cual es una manera muy ingeniosa –lo reconozco- de llamar a los beneficios antes de impuestos de una empresa. Por lo tanto, no se crea la publicidad, ni la publicidad de los bancos, y no gaste más allá de lo que puede permitirse. Le están creando falsas necesidades. No hace falta tener un coche tan potente como uno de competición para ir a trabajar o para ir a la playa. En realidad, no hace falta tener coche. Camine usted o use la bicicleta o coja el autobús. O, simplemente, quédese en casita tan ricamente. V ESTÉSE QUIETO, HAGA EL FAVOR Una de las pestes de los tiempos modernos es el turismo. Masas de gente aborregada que invaden lugares más o menos bonitos y los llenan de desperdicios y de miradas muy parecidas a las de los rumiantes cuando rumian. Grupos que transitan de un lugar a otro del planeta para terminar comiendo y bebiendo en los mismos sitios que tienen a dos manzanas de su domicilio habitual. Seres humanos que pagan un buen dinero por zambullirse en mares que nada tienen que envidiar a los que bañan nuestras costas. Personas a las que encierran en campos de concentración de lujo hortera, a 10.000 kilómetros de distancia, para hacer las mismas cosas que podrían hacer a la vuelta de la esquina. La mayor parte de los problemas de esta humanidad desquiciada tienen su raíz en el hecho de que el hombre no sabe quedarse tranquilamente en su casa. ¿Usted se ha fijado en el árbol que tiene en su calle? Admírelo. Pasarán mil años y no habrá sido capaz de apreciar todos los matices de ese árbol: es distinto según las estaciones del año; es otro árbol si llueve o nieva o luce el sol; su color cambia, cada mañana, cada tarde, cada noche; suben o bajan hormigas por el tronco y, algunas veces, hay excrementos de perro en la tierra junto a las raíces y, otras, no. Luego están las hojas, distintas todas ellas, el universo entero contenido en una sola hoja. ¿No me cree? Coja una de esas hojas y contémplela… Es una maravilla. Tómese el tiempo necesario. Vuelva a mirar la hoja. Ni siquiera el mejor diseñador de coches de competición del mundo –suelen ser italianos- puede lograr una forma semejante. Al cabo de unos días la hoja amarilleará en sus manos y, como el excremento de los perros al pie del árbol, le hablará del fracaso de la vida. Es lo que toca. Lo que pasa es lo que toca. Y una hoja separada del árbol muere antes que las hojas que permanecen en él. Voy a hacer una comparación poética para que usted me entienda mejor: el árbol es su vida presente, su momento presente, su ahora; si usted se va del ahora, morirá: estará en el pasado o en el futuro, en los dos casos, ya se lo he dicho, habitará mundos que no existen más que en su imaginación. ¿Recuerda a Don Quijote? Es una novela muy divertida que nos habla precisamente de esto. Entonces, si una simple hoja, es inabarcable, imagine el parque que tiene al lado de casa, con unos cuantos árboles y unas cuantas flores. La naturaleza es un exceso de belleza que no sabemos apreciar porque nos movemos demasiado. No se mueva, hombre. Hay tanto que admirar. ¿Se ha fijado usted bien en el cálido amarillo de una tortilla de patatas? ¿En el rojo cambiante de un buen vino? –los vinos malos también son rojos si son tintos, y, en general, los de ahora son mejores que los que bebían los reyes en el siglo XVIII-. Vamos muy deprisa y damos por supuestas muchas cosas. Esa tortilla de patatas hay mucha gente en el planeta que no puede disfrutarla y usted la tiene en casa o en el bar de la esquina. ¿Cuántas veces ha desaprovechado usted la ocasión de disfrutar de la tortilla de patatas porque estaba pensando, mientras la comía sin prestar atención, en el hijo de su madre del árbitro, en el pesado de la oficina o en la aseguradora que le ha subido la cuota? Por no hablar de los remordimientos que ha tenido después recordando la dieta que no es capaz de hacer o los índices de colesterol que le han dicho que debe mantener a raya. OLVÍDESE DE SU SALUD Y VIVIRÁ MEJOR Otro engaño de esta sociedad es que nos hace creer que viviremos eternamente. No. Se lo repito: no. Viva usted 120 años. Tal vez 800, como los patriarcas bíblicos. ¿Y qué? ¿Sabe usted la de cientos de miles de millones de años que este universo anda por ahí soltando bolas de fuego que dan vueltas alrededor de otras bolas de fuego que van y que vienen? El cosmos entero, si pudiera ser visto a cámara rapidísima, sería como un castillo de fuegos artificiales. Uno de esos puntitos brillantes que han durado unos segundos es el planeta Tierra. Pues eso es todo. ¿Y quiere usted venderme un seguro de vida? Permita que me ría, señor vendedor, y que le invite a una cerveza. Disfrute de una buena cerveza en la taberna y contemple el árbol de la calle a través del ventanal. Sonría. Y cuando le hablen de fracaso, dígales que, en este preciso instante, millones de masas galácticas han fracasado como planetas o como estrellas, han implosionado o han sido engullidas por un misterioso agujero negro, del que no escapa ni la fuerza gravitatoria, ni nada de nada. ¿Fracaso? Invite a otra cerveza al que le hable de fracaso. VI FRACASE Y CONOCERÁ A SUS AMIGOS DE VERDAD Pongamos por caso que usted es una de esas hormigas listas que consigue destacar en el hormiguero. Almacena usted grandes cantidades de comida, la vende bien, gana dinero, exporta su comida a otros hormigueros, compra los negocios de sus competidores y crea un imperio –en el hormiguero, no pierda la perspectiva-. A sus fiestas acuden los personajes más importantes y los menos importantes le hacen la pelota. Hormigas menos afortunadas le piden trabajo o dinero y usted, generosamente, les da trabajo y dinero. Incluso aquella hormiga que se peleó con usted la semana pasada, cuando eran jóvenes, –el tiempo también es distinto en los hormigueros-, vuelve para pedirle un préstamo y usted le dice que pelillos a la mar, todo olvidado, venga esas cinco patas, y se lo concede. En fin, todo es felicidad a su alrededor. Es usted uno de los reyezuelos del hormiguero. Y, de repente, shit happens. Ésta es una expresión anglosajona de muy difícil traducción: viene a decir que surgen problemas como caídos del cielo; sin comerlo ni beberlo pasa una de aquellas cosas que hacen exclamar a los humanos: ¿por qué a mí? (Uno de los mejores relatos de las consecuencias de un shit happens se encuentra en la Biblia, en el libro de Job). En el caso que nos ocupa, la situación puede, realmente, caer del cielo. Aquel niño se ha bajado de la bicicleta y ha puesto los pies justo encima del hormiguero. Para ser más exactos, ha puesto uno de los pies encima de la sede de su empresa y el otro, sobre su casa, que estaba al lado. Usted se ha salvado porque se encontraba de viaje en el hormiguero vecino, medio metro a la derecha de la rueda delantera de la bicicleta del niño. Le llevará a usted todo el día regresar a su domicilio. Lo hará deprisa porque está seguro de que, como temían los galos, el cielo ha caído sobre su cabeza –las hormigas científicas se encargarán de determinar qué clase de monstruoso OVNI metálico es ese que ven brillar sobre el horizonte; en cuanto al niño, lo catalogarán como uno de los nefilim que menciona, misteriosamente, el Viejo Libro-. Al llegar a su casa, usted se tropezará con el desolador espectáculo de la destrucción de todo lo que constituía su vida. Ya no tiene casa, ni familia, ni empresa, ni comida. No tiene nada. Vagará como alma en pena por el hormiguero rogando un poco de ayuda y nadie se la dará. Sus amigos le volverán la espalda. Aquellos a los que favoreció con dinero y con trabajo le exigirán que cumpla los contratos. -Todo ha desaparecido. Uno de esos nefilim lo destruyó todo –gemirá usted. Pero nadie tendrá piedad. Es más, la reina del hormiguero le expulsará, acusándole de falta de previsión y de negligencia. Es posible que alguna hormiga de los barrios bajos le permita dormir en su chabola de las afueras y un gusano le hablará sobre el sentido de la vida de los gusanos. -Usted, querida hormiga, lo ha perdido todo, es cierto. Incluso los amigos. No sé por qué digo “incluso” –le dirá el gusano- cuando los amigos son lo primero que uno pierde si van mal dadas. A mí me sucedió algo parecido. Al final, sólo una mosca, que había sido mi principal competidor en el negocio de la fruta podrida, me acogió en su casa y me dio trabajo. Los humanos se han empeñado en hacerse eternos a base de conservantes y los cadáveres no hay manera de que se descompongan. Esto es un problema para las moscas. Los gusanos somos más tenaces y al final conseguimos convertir en comida incluso esos pechos de silicona de las abuelas de 94 años. Digamos que yo le facilito el trabajo a mi amiga, la mosca, y ella me paga. No tenemos más relación que esa, ¿sabe? Es una mosca que está de buen ver, pero uno tiene sus principios. Estos humanos ignoran que ya alteraron el orden cósmico hace millones de años, cuando esos nefilim se juntaron con las hijas de los hombres.Alguien se enfadó, no sé si me entiende, y por poco se va todo el universo a hacer puñetas. Ahora vuelven con lo mismo y me temo lo peor. Usted, como hormiga, es posible que aprenda de todo lo que le ha ocurrido. Los humanos no aprenden nunca. Se creen algo, ¿comprende? Nosotros los gusanos estamos aquí precisamente para recordarles lo que son, pero no hay manera de que comprendan. Nos ven y dicen: “mira, un gusano”. Eso es todo. “Mira, un gusano”. Es para responderles: “Sois unos idiotas. Acabaréis todos en mi estómago cualquier día. Es mejor que nos llevemos bien.” Pero no, prefieren pisarnos. Como si pisando a un par de los nuestros, todos desapareciésemos de su vida. Apareceremos en su muerte. Yo pienso que por eso nos pisan, ¿no cree? -No sé. Ya no sé nada… –se lamenta la hormiga. -Nadie sabe nada, no se apure. A los gusanos sólo nos ha valorado un humano: el hombre de Galilea. ¿Ha oído hablar de él? -No. -Un tipo muy especial. En nuestros viejos libros se dice que llegó a compararse con uno de nosotros. Realmente, él sí tenía el sentido de la proporción y de la medida. Pero parece que la cosa acabó mal. Uno no puede decir que es un gusano y esperar que no lo pisen. -¿Le pisaron? -Bien, se cree que fue algo peor que eso. En cualquier caso, digamos que sí, que le pisaron. -¿Y qué pasó después? -Es un misterio. En nuestros archivos no consta que ninguno de nuestros antepasados se lo comiese. Un caso muy especial, como ve. -Yo ya no veo nada. He fracasado. -Lo comprendo perfectamente porque yo vivo del fracaso ajeno. Vivo del fracaso de la vida. De lo que los humanos llaman el fracaso de la vida. Porque, deje que me ría un poco, nosotros seguimos vivos. -Es que se creen algo. Es una gran tentación creerse algo. Tal vez yo llegué a creerme algotambién. Y no soy más que una hormiga. -Querido amigo, empieza usted a recordarme al hombre de Galilea. Él era alguien, eso es muy distinto. Y vino a explicarles a los humanos que eran alguien. -¿Yo también soy alguien? -Si usted reconoce que es sólo una hormiga, es alguien, sí. Mejor dicho, si me permite el consejo: empezará a ser usted alguien. Fin del cuento. Las cosas más reales sólo se pueden explicar a través de los cuentos y de la poesía. Los niños, los poetas y los borrachos son los únicos que ven lo que hay al otro lado de los espejos y por eso nadie les hace caso. El fracaso es un camino que conduce al otro lado del espejo. Es un camino estrecho, pequeño y áspero, pero no hay otro. Si usted se queda a este lado del espejo lo único que verá es una imagen de la realidad que se hará añicos en cuanto un niño tire una piedra o aparque su bicicleta encima del hormiguero. No tengo que decirle nada más a este respecto porque usted es un hombre culto y ya sabe a lo que me refiero. Si le dijese que aparte de su vida los espejos que le impiden ver la realidad, usted no me haría caso. Nadie rompe los espejos porque todo el mundo prefiere ver una imagen de si mismo antes que ver cualquier cosa que le recuerde que aquello que ve es una mentira. ¿Quiere que le diga cuál es uno de los nombres del espejo? Lo ha adivinado: éxito. El segundo es: poder. Y el tercero se llama yo. VII Hemos hablado del poder y del éxito y hemos visto que el ser humano más poderoso tiene el mismo poder que una hormiga. Seguramente, mucho menos desde un punto de vista galáctico. Desde un punto de vista cósmico –incluyamos, pues, todas las galaxias conocidas y desconocidas- el hombre más poderoso del planeta se parece bastante a un neutrino de segunda, ya sabe, una de las muchas partículas subatómicas. El éxito es un bonito espejismo. Los hombres, sedientos de algún tipo de trascendencia –a nadie le apetece morir-, corren como desesperados hacia el oasis del éxito y, cuando llegan, se encuentran con un lugar tan vacío como el propio desierto en que han convertido su miserable vida. La causa de todos estos males es sólo una y se llama “usted”. Bueno, o yo. “Yo” quiere decir yo mismo, el que esto escribe; y también quiere decir el “yo”, eso que los autores de libros de auto-ayuda se empeñan en agigantar, convenciéndole de que usted, o yo, seremos capaces de no se sabe cuántas proezas, y de que alcanzaremos el espejismo del éxito en dos tardes. Pues no. Lo que uno tiene que hacer con su “yo” es destruirlo a toda velocidad. Ese “yo”, en la inmensa mayoría de los casos, es una construcción ficticia, un ídolo lleno de las mentiras que usted se ha creído sobre usted mismo; vacío de los defectos que no se atreve a aceptar; y repleto de los tejemanejes que se monta para no admitir que usted es como es y no como le gustaría ser. Su “yo” no es usted. Su “yo” es un muñeco fabricado por usted mismo con elementos del pasado y del futuro. Su “yo” no existe, pero usted lo protege y lo defiende con uñas y dientes porque se cree que sin ese “yo” usted sería como un caracol sin concha o como un cojo sin muletas. -Oiga, ¿y cómo destruyo el “yo”? Usted solito no va a poder. Es decir, podrá hasta el punto en que le duela. Hasta el punto en que se vea desnudo. Usted nunca querrá verse desnudo y correrá a ocultarse, como se dice que hicieron Adán y Eva. (Un relato que puede usted creer o no, pero que ofrece muchas claves sobre el comportamiento de los hombres y de las mujeres. Recuerde que el cobarde de Adán escurre el bulto y culpa a la mujer. Pero esta es otra historia y no nos gustaría perder el hilo argumental). Usted no podrá deshacerse de su “yo”. Tendrán que arrancarle esa coraza a base de fracasos. Tendrán que destruir ese ídolo a golpes de humillación. Tendrán que recordarle, con dolor, que es usted una hormiga. Es decir, tendrá usted que familiarizarse con un concepto que no cita ningún autor de libros de auto-ayuda y que los autores de manuales de espiritualidad tergiversan como demonios. Estamos hablando de la humildad. Le resulta desagradable, ¿no es cierto? Lee usted la palabra “humildad” y crece en su interior, de repente, el rechazo hacia estas pobres líneas y la antipatía más profunda hacia el autor, que soy yo. Humildad. Humildad, sí, mi querida hormiga. Puede dejar de leer ahora mismo. Lo comprenderé. Sea usted quien sea, no es agradable leer palabras como “hormiga” o “humildad”. Si usted es político, actor, periodista, escritor, banquero o cualquier otra cosa que las hormigas consideran importante, estoy seguro de que ya ha dejado la lectura de estas líneas. Humildad. Noto, sin asomo de duda, cómo huyen despavoridos muchos de los lectores. No les voy a pedir que vuelvan. Es muy duro enfrentarse a solas con uno mismo y bucear en el interior de la conciencia –sí, esa vocecita familiar que usted tantas y tantas veces ha acallado, incluso con violencia-. VIII El fracaso es el mejor y más eficaz destructor del “yo” que se ha descubierto. Sobre todo porque uno se obstina en no reconocer que ha fracasado y lucha hasta la locura –literalmente, en muchos casos- para salvaguardar el ídolo del “yo”. Y cuanto más pelea, más se destruye. No se da cuenta de que el ídolo acorazado ha caído hecho pedazos, de que uno está desnudo ante el mundo y de que la gente le ignora, se ríe o le insulta. Un tipo muy interesante que se llamaba Francisco y era natural de Asís, Italia, se desnudó él mismo delante de los de su ciudad y dijo así soy y todos se lo tomaron a risa y él dijo que estaba muy bien que se riesen de él y se largó paseando, tranquilo y libre. Sabía que no era más que una hormiga. Por eso, dicen que llamó hermanas a las hormigas y a las cabras y a las gallinas; y hermanos, a los lobos y a los buitres y a todos los hombres; y lo llevó todo tan lejos –tan cerca de la verdad- que llamó hermano al sol y hermana a la muerte. Muerte. Los pocos lectores que permanecían por aquí han salido corriendo. Esta sociedad tiene tanto miedo a la muerte que ha aparcado a los enfermos y a los viejos en hospitales y en residencias y ha retirado los cementerios de las ciudades y de los pueblos. Han puesto los cementerios lejos, para no verlos. Es un invento de la terrible Revolución Francesa. Alejar la muerte de la vida de los hombres supone alejarles de la única certeza posible y, por tanto, alejarles definitivamente de la realidad. Una vez alejados de la realidad, la manipulación de las mentes es mucho más sencilla. También han desterrado el luto. Vestir de negro durante un par de años a causa del fallecimiento de un ser querido era una sana costumbre y una terapia para el dolor. Vestir de negro en público ofrecía la posibilidad de llorar en público sin que pasase nada –era lógico llorar la muerte del marido o del hijo-; vestir de negro en público permitía ser consolado en público; permitía digerir la tragedia en compañía; permitía asimilar la pérdida poco a poco y tomar conciencia de nuestra finitud; era un saludable aviso a navegantes. La gente lloraba y gemía y estaba triste porque lo natural cuando ronda la muerte es estar triste. Hoy, no. Hoy tiene uno que huir de la tristeza y del dolor y del llanto y hacer ver que todo es normal, no le de un vahído a mi amiga Puri o al pijo de mi hermano o al pesado del vecino. -¿Qué tal todo? -Murió mi padre. -Y yo perdí el bolígrafo. Así viene a ser la cosa. Como el ídolo del “yo” no resiste los embates del dolor y de la muerte, pobrecito, hay que ocultárselos. De modo que llevamos unas cuantas generaciones de hombres que ya no son hombres y de mujeres que ya no son mujeres. Son juguetes que se rompen en cuanto aparece la más mínima contrariedad. Vestir de luto se ha convertido en un pecado social, como han convertido el fumar en un pecado social. Fumar puede matar -¿lo ven? La muerte, otra vez-. Claro. Vivir también puede matar. Y, efectivamente, vivir mata. Elogio del Fracaso | Paco Segarra |
O Libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor*
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Súbditos subjugados ao mais infame de todos os deuses: o eu. |
*Luiz Pacheco
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