Não esqueçais a hospitalidade, porque, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram Anjos. Hebreus 13,1-8 |
moradas
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«Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito. Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes. Orai assim: ‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. Porque se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas» Mateus 6,7-15 «A chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a haverem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer . Assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão» Isaías 55,10-11 |
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La Grande Bellezza
Palazzo della Civiltà Italiana | EUR | Giovanni Guerrini, Ernesto Bruno La Padula, Mario Romano / 1938-1943
A grande beleza
O último plano, um derradeiro sorriso - o primeiro - que salva o filme, salva Cabíria e nos salva a nós. Maria Ceccarelli prova, finalmente, a verdadeira liberdade: a que reside dentro dela (em cada um de nós).
E não nos preocuparemos mais com Cabíria. |
A cidade é uma miragem ao fundo, uma ressonância de sonhos que descem de futuro. A vida é na margem uma margem entre despojos abandonados da civilização industrial e o espólio gasto e puído da moribunda sociedade rural.
As Noites de Cabíria | Federico Fellini / 1957 |
poetry don’t work on whores
| Se o western já não é um género e mais um tema a paisagem já não é aberta e redentora (Ford) mas claustrofóbica e pedaço inapelável da própria narrativa. É a narrativa agora território onde se espalham os estilhaços das personagens. Uma declaração dos contornos psicológicos de quem percorre a paisagem. A Fronteira não é a promessa: a Fronteira é uma paisagem psicológica onde se coreografa a morte permanentemente anunciada. O Great Wide Open é a assombrada errância de Jesse James e da lenda em que ele próprio se converteu. A encenação na beleza da paisagem de um destino que transcende já no aqui e no agora. |
Que buscais?
Irmãos: O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo.
Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo. Paulo | 1ª Carta aos Coríntios 6,13c-15a.17-20. |
Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos
e, vendo Jesus que passava, disse: "Eis o Cordeiro de Deus". Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: "Que procurais?". Eles responderam: "Rabi - que quer dizer 'Mestre' - onde moras?". Disse-lhes Jesus: "Vinde ver". Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: "Encontrámos o Messias" - que quer dizer 'Cristo' -; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: "Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas" - que quer dizer 'Pedro'. João | 1,35-42. |
moradas
Casca da árvore nocturna, facas filhas da ferrugem
segredam-te os nomes, o tempo e os corações.
Uma palavra, adormecida quando a ouvimos,
deslizou para debaixo da folhagem:
eloquente há-de o Outono ser,
mais eloquente a mão que o recolhe,
fresca como a papoila do esquecimento a boca que a beija.
A Eternidade | Paul Celan / Trad. Gilda Lopes Encarnação
lugar transitivo
We attain to dwelling, so it seems, only by means of building. Sigamos Heidegger e detenhamo-nos, depois, nessas efabulações humanas, militarizadas primeiro, domesticadas e abandonadas agora, tão ao alcance dos nocturnos ‘terrores repentinos’:
Em Wenders povoam Berlim, a cidade ferida pelo contraditório muro que a atravessa. Um muro de questões ridículas semeadas por homens a que assistem os anjos, excluídos de lhes alterarem o destino – o rapaz não espera para se suicidar. Ilusões de aparência humana, reflexos da solidão de Deus e testemunhas da queda humana - também eles desejam com estrondo cair. A fadiga da imortalidade trocada pelo corpo perecível: o corpo lugar transitivo. As Asas do Desejo | Wim Wenders / 1987 Distinguimo-nos deles pelos elementos: observam ainda no seu tempo, que se conjuga sempre no presente, os glaciares a derreterem, as primeiras cidades, sorriem ao verificarem o esforço do homem na Lua; nós, carne corruptível, esforçámo-nos por abrir na rocha o primeiro abrigo, amontoámos pedras, organizámos o espaço, erguemos a memória dos mortos – a única possibilidade de arquitectura para Hegel -, necessitamos de recato para o sexo e de um canto para o fogo. Mãe e Filho | Aleksandr Sokurov / 1997 Dividimos e organizamos o espaço pela linha do Sol. À hierarquia dos negócios diurnos substitui-se a necessidade de apenas uma minúscula parcela desse espaço onde depositemos o corpo. Adolf Loos |
moradas
Sempre te tornaste então aquilo que nunca em ti conheci: por toda a parte bate o meu coração numa terra de fontes, onde nenhuma boca bebe e nenhum corpo as sombras debrua, onde a água brota a fingir e o fingido como água espuma. Irrompes em todas as frontes, pairas em tudo o que é fingido. Inventaste um jogo que quer ser esquecido. Corona | Paul Celan / Trad. Gilda Lopes Encarnaçã |
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Rosa Rilke Raimundo Correia
Uma pálpebra, Mais uma, mais outras, Enfim, dezenas De pálpebras sobre pálpebras Tentando fazer Das minhas trevas Alguma coisa a mais Que lágrimas Rosa Rilke Raimundo Correia | Paulo Leminski |
moradas

Estou só, coloco a flor-cinza
na jarra de negrume amadurecido. Boca gémea,
dizes uma palavra que se perpetua diante das janelas,
e mudo trepa meu sonho por mim acima.
Sou a floração do tempo sem viço
e guardo resina para uma ave tardia:
ela traz o floco de neve na pena vermelho-vida;
de grãozito de gelo no bico, sobrevive ao Verão.
[Corona | Paul Celan / Trad. Gilda Lopes Encarnação + Edifício Jardim das Amoreiras, Arqtº Carrilho da Graça, 2010]
Corona
À minha mão vem o Outono comer as suas folhas: somos amigos.
Descansamos o tempo das nozes e ensinamo-lo a partir:
o tempo retorna à casa.
No espelho é domingo,
no sonho dorme-se,
a boca diz a verdade.
O meu olho desce até ao sexo da amada:
olhamo-nos,
dizemo-nos algo sombrio,
amamo-nos como papoila e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o mar no jorro-sangue da Lua.
Estamos abraçados à janela, vêem-nos da rua:
chegou a altura de se saber!
Chegou a altura de a pedra se dignar em florir,
de o coração do desassossego começar a bater.
Chegou a altura de ser altura.
Chegou a altura.
[Corona | Paul Celan / Trad. Gilda Lopes Encarnação + Sede EDP, Aires Mateus & Associados, Lda., 2014]
Elogio da Lonjura
| Na fonte de teus olhos vivem os fios dos pescadores do mar-errância. Na fonte dos teus olhos cumpre o mar a sua promessa. Coração entretido entre os homens, aqui arremesso minhas vestes e o fulgor de um juramento: Mais negro no negro, estou mais nu. Só sendo traidor sou fiel. Eu sou tu quando sou eu. Na fonte de teus olhos vogo e sonho a pilhagem. Um fio prendeu um fio: separamo-nos enlaçados. Na fonte de teus um enforcado estrangula a corda. [Elogio da Lonjura | Paul Celan / Trad. Gilda Lopes Encarnação + Sede EDP, Aires Mateus & Associados, Lda., 2014] |
A Casa
Se por acaso buscas
o verde exacto das folhas
a perfeição da linha que as atravessa e conta quantos dias faltam até à queda no chão
Digo-te que não traces medidas nem planos
Pois o céu mudará de cor e a terra ficará mais húmida
e da janela verás
como o vento sacode as copas amarelas e assobia à nossa porta.
E ainda assim
todos os dias são de primavera.
Jardim das Amoreiras, R.
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